Zona envolvente aos Paços do Concelho vai ser requalificada durante o ano de 2019

A Câmara Municipal de Alvaiázere (CMA) promoveu uma sessão de esclarecimento sobre o Plano de Ação de Regeneração Urbana (PARU), no Salão Nobre dos Paços do Concelho, no passado dia 5 de dezembro. Contou com a presença da presidente da CMA, Célia Marques, da arquiteta Mariana Batista e do engenheiro Godinho, responsáveis pelo projeto, para além de autarcas das freguesias e um conjunto de alvaiazerenses interessados pelo tema, a sua maioria comerciantes das zonas que irão ser intervencionadas nesta primeira fase.

Esta sessão pretendeu “ouvir as opiniões de todos, pois todas são válidas”, disse Célia Marques, garantindo que este Plano de Ação não se encontra ainda fechado, “está em maturação, num ponto de poder ser apresentado e discutido”. A presidente do Município tentou esclarecer as dúvidas dos presentes, ouvindo as suas sugestões, afinal como a própria garantiu “isto não é uma coisa isolada, é um conjunto de projetos para trazer vida e dinâmica ao centro da vila, estimulando ainda os privados a requalificarem os seus edifícios”.

O concurso público para a realização das obras deve avançar no primeiro trimestre do ano 2019 e a duração das mesmas não deve exceder os 12 meses.

O projeto

Nesta primeira fase, serão intervencionadas as ruas de St.ª Maria Madalena (perpendicular à CMA), parte da rua Juiz Conselheiro Furtado dos Santos (até à pastelaria D.ª Inês), a Praça do Município e parte da rua Dr. Acúrcio Lopes (perpendicular à CMA).

Aquilo que se ambiciona é “impulsionar a escala humana e reforçar o comércio local”. Mariana Batista fez a apresentação das obras a efetuar e que passam, por exemplo, na rua em frente à CMA, pelo nivelamento e calcetamento da via, ao mesmo tempo que se encurta a largura da mesma e esta passa a ter apenas um sentido de trânsito. Com isto pretende-se ganhar “espaço para os peões” e dois lugares de estacionamento perto da farmácia. Além disso, pretende tornar “a estrada não tão linear” diminuindo a velocidade permitida naquela zona e a colocação de pilares que separem a via do passeio, de modo a criar maior segurança para todos. Em relação à Praça do Município, o que se preconiza neste PARU é a criação de uma zona verde com canteiros, “mobiliário urbano de permanência”, alinhamento e alargamento de algumas escadas e o fecho das mesmas ao pé do Coreto. Também as escadas em frente à Igreja serão requalificadas, acabando o seu aspeto arredondado, apenas na zona que faz parte da rua Conselheiro Furtado dos Santos.

No que diz respeito a obras na rua St.ª Maria Madalena estas passam pela recolocação da praça de táxis, pelo calcetamento da via, requalificação do antigo edifício do jornal “O Alvaiazerense”, criação de lugares de estacionamento na zona onde é atualmente a praça de táxis e pela possibilidade de circundar, em toda a volta, o edifício das Finanças, criando também estacionamento nas suas traseiras.

De referir que estas obras terão um custo total que ascende a 460.000 mil euros e serão comparticipadas em 85% por fundos provenientes da Comunidade Europeia.

Comerciantes contra

Apresentado o projeto, foram várias as vozes que se fizeram ouvir contra estas obras, nomeadamente a de alguns comerciantes desta zona que estão preocupados com a sobrevivência do comércio e das suas lojas, afirmando que a vila vai ficar morta. “Já está em morte lenta e com isto vai cair em morte súbita”, afirmaram alguns lojistas.

Para uma das comerciantes, Lurdes Mendes, proprietária da papelaria na rua Juiz Conselheiro Furtado dos Santos, o facto de a estrada em frente à Câmara Municipal passar a ter apenas um sentido de trânsito será um dos maiores problemas, pois “afasta ainda mais as pessoas, não tendo a possibilidade de passarem nos dois sentidos, já não vêem que os nossos comércios estão abertos, não param e cada vez mais teremos menos pessoas. O movimento já não é muito e assim ainda pior”, garantiu.

Os comerciantes presentes criticaram ainda o dinheiro que se vai gastar nesta primeira fase, nesta zona que dizem ser “das mais bem cuidadas e bonitas de Alvaiázere” quando há, claramente, outras prioridades mais urgentes para resolver dentro da vila. “Há que repensar a ideia”, afirmaram.

De referir que quem quiser consultar o estudo prévio pode fazê-lo no serviço de atendimento da Câmara Municipal, devendo as eventuais sugestões para alterações ser dirigidas, por escrito e através de requerimento, à presidente do órgão executivo.

Ana Catarina de Oliveira