Opinião

A 4 de Agosto foi batido o recorde de temperaturas, desde que há registos, em pelo menos 25 estações meteorológicas do nosso País. Tem sido frequente o aumento de fenómenos extremos de temperatura, com secas e incêndios devastadores. Ressaltam as tempéries inusitadas nos países escandinavos, como Finlândia, Noruega e em especial a Suécia, com incêndios devorando florestas, algumas muito próximas da região ártica. O termómetro na Sibéria chegou aos 40 graus. Na Califórnia, são milhares os hectares queimados, com incêndios que duram há várias semanas.

Agosto, meu querido agosto. É o que dizem muitos portugueses. Uns porque finalmente estão de férias, outros porque finalmente estão de regresso à sua terra natal, outros porque em Portugal agosto é sinal de apatia geral.

É também tempo de festas e romarias e o nosso Concelho não é exceção. Em todas as freguesias, o calendário é preenchido com os tradicionais bailes, quermesses, ranchos e passeios de motas, que é a nova moda dos programas.

Em Portugal, apesar do decréscimo da natalidade, verificamos que, para o bem e para o mal, continua a ser um país fértil em chicos-espertos. A maioria das vezes, achamos graça e até orgulho a esta capacidade de desenrascanço e somos naturalmente benévolos e passivos a esta criatividade bem vincada. Quando a coisa nos vai aos bolsos ou toca nas nossas convicções, o caso muda de figura.

O chico-espertismo apresenta variáveis. Vejamos os casos de alguns chicos- -espertos que, não olhando a meios e de forma oportunista, tentaram “passar a perna” para atingir os seus fins.

Chegou-me há dias às mãos um papel dizendo que um político deste País, em 1932 proferiu a seguinte frase numa entrevista ao jornalista António Ferro.

A frase dizia o seguinte: “Há que regular a máquina do Estado com tal precisão que os ministros estejam impossibilitados, pela própria natureza das leis, de fazer favores aos seus conhecidos e amigos”.

Um famoso escritor espanhol, há tempos, numa entrevista a uma revista portuguesa, chocou-nos com “o mundo é um sítio perigoso, cheio de filhos da puta”. A recente aventura dos 13 jovens tailandeses que ficaram encurralados numa caverna, mostrou como é grande a solidariedade mundial e como pode mobilizar quereres e vontades por objectivos nobres. O mundo sofreu e acabou por suspirar de alívio com o final feliz. Este “sítio perigoso” pode ter coisas muito más, mas também tem coisas belas e comoventes que nos fazem chegar as lágrimas aos olhos.

Foi com tristeza e consternação que recebi a notícia do falecimento do Sr. Dionísio.

Mais um Bom Homem que segue o caminho na vida eterna e que nos deixa um legado que muito enriqueceu Alvaiázere nos últimos anos, nomeadamente no capítulo cultural e social, num trabalho sempre em prol da comunidade.

Como exemplo, o Sr. Dionísio fundou e presidiu o Grupo Coral “Alva Canto” que promove a Cultura no nosso Concelho de forma ímpar, desenvolvendo atividades ao longo do ano que preenchem a agenda cultural e recreativa de Alvaiázere.

Algures, na internet, encontrei uma publicação, mais propriamente a Portaria do Diário da Republica nº 133 de 7 de junho de 1912, secção de avisos e anúncios oficiais.

Aqui fica, pretendendo ser um pequeno subsídio para a história de Alvaiázere. Nela se constata que a freguesia de Almoster pertenceu ao concelho de Ansião.

Também são referidas algumas pessoas que fazem parte da história de Alvaiázere, como é o caso de Policarpo Marques Rosa, notário, escritor, arquiteto, investigador, político e jornalista, entre outras atividades.

Nesta coluna, mensalmente, tentamos destacar o que de mais relevante sucede à escala mundial, nacional e local. É evidente que a subjectividade é determinante na escolha, e o que pode ser marcante para nós, poderá não ser para o caro leitor. Também não é garantido o rigoroso cumprimento em todas escalas, seja por falta de tema, ou de espaço ou na maioria dos casos, de inspiração.

Tenho que dizer que no meio de um junho tão triste (até as exibições da seleção não ajudam), a cerimónia do dia do Concelho foi um oásis em Alvaiázere.

Muito bom discurso da Presidente da Câmara, dois artistas cá da Terra com boa música e a distinção das Associações do Concelho com mais de 50 anos a servir de mote.

Agora fica a questão. Com o fim da FAFIPA, justifica-se o dia do Concelho ser a 13 de junho? Ou deveria tomar a forma do antigamente e passa a ser na quinta feira da Ascensão?

O escritor Miguel Torga, no seu livro Novos Contos da Montanha, deunos a conhecer o Alma Grande, personagem criada a partir de uma outra personagem lendária, o denominado Abafador.

O Abafador, no tempo dos Cristãos Novos, judeus cristanizados à força, era chamado pela família para acabar com a agonia dos moribundos e, ao mesmo tempo, ao abreviar-lhes os últimos momentos, evitava que o rito cristão fosse imposto.

Pela sua função social, era alguém muito prestigiado e muito respeitado na comunidade, pois as pessoas achavam que ele fazia um favor à sociedade.