Opinião

Pensamento livre foi sem dúvida a maior conquista do 25 de abril. Exprimir livremente o nosso pensamento sem mordaças e ter a possibilidade de escolher livremente quem nos governa são direitos só conseguidos depois de muitos dos que nos antecederam há quase meio século conhecerem a guerra, a censura e a prisão. É preciso não esquecer o passado e refletir para que não se volte aos tempos de opressão e de falta de democracia. É preciso fomentar os ideais do 25 de abril por vezes adormecidos.

Saio hoje, nesta crónica, um pouco da minha linha de “orientação” dos artigos que escrevo, mas o que tem acontecido nos últimos dias nestes lindo País, leva-me a isto.

E porquê? Pelos episódios recentemente vividos por todos Nós.

Comemorou-se este ano o 45º aniversário do 25 de abril. Devia ser sinónimo de maturidade da nossa democracia. Por vezes, questiono-me se ainda terá algum significado a sua celebração. Os ideais de liberdade, solidariedade, fraternidade e igualdade, bebidos na revolução francesa, mantêm- se ou é tudo uma ilusão?

No presente mês de abril, assistimos a uma situação que contraria esses ideais.

É inadmissível que alguém, neste caso o governo de todos, decrete a desigualdade e a falta de solidariedade nacional.

Alvaiázere, de onde vens, para onde vais… ou te levam?

Neste ano de 2019 ainda nada escrevi para o nosso Jornal, “O Alvaiazarenese”. Mas, desta vez, que até estou bem disposto, vou escrever alguma coisa, sobre o estado actual (politicamente) como vai o nosso país. Quase todos os dias leio alguns jornais diários e neles encontro alguns artigos acerca do estado político, isto é como vai a governação, deste nosso rectângulo. E, como não podia deixar de ser, é só greves e mais greves de tudo o que pode ser. Enfim, nada está bom. Enfermeiros, médicos, professores, tribunais, repartições… e não só. Brinca-se com tudo.

Em pleno século XXI, o avanço da tecnologia e do progresso já mostrou que não consegue resolver os problemas do mundo, fome, miséria, desigualdade social, idosos sem assistências, degradação ambiental, vítimas de violência, crianças abandonadas, entre outros. Apurar as responsabilidades destas situações é dificil, apontamos na maior parte das vezes o dedo para os governos, porém a responsabilidade é de todos nós.

Continuamos a fomentar o ter como mais importante que o ser, urge revertermos esta situação, numa sociedade com uma inversão de valores.

Diz o povo e com razão que “há males que vêm por bem”. E é bem verdade.

Isto a propósito da nova localização da área empresarial (ou zona industrial… como lhe queiram chamar) de Alvaiázere que por motivos relacionados com fundamentalismos estéreis, foi relocalizada na Venda dos Olivais, em detrimento da Tróia.

O nome “março” surgiu na Roma Antiga, quando designava o primeiro mês do ano e chamava-se Martius, de Marte, o deus romano da guerra. Esta homenagem justificava-se pelo facto de ser um dos meses com maior número de tempestades e ventos fortes e era representado vestido de guerreiro, segurando a lança e o escudo, sendo também invocado como o protetor das sementeiras e dos lavradores.

Para os romanos, março, sendo o primeiro mês da primavera, indicava um evento lógico para se iniciar um novo ano, bem como o início das campanhas militares.

Alvaiázere, para onde vais? Tive muitas esperanças de que te tornasses uma terra interessante… Face à benevolência de grandes alvaiazerenses, construíramte um hospital, uma creche, um edifício para cinema/teatro. Edifícios que cidades ainda não tinham ou eram-lhes inferiores. Começou a esperança numa terra melhor para os seus habitantes e um crescimento por que todos ansiavam.

No mundo atual assistimos a um abandono crescente da qualidade da gratidão. Urge sermos humildes e capazes de reconhecer o mérito dos que nos rodeiam ou dos que contribuíram de forma decisiva para a nossa permanente construção. Devemos demonstrar gratidão por todo o carinho e apoio incondicional que ao longo da vida vamos recebendo, nos bons e maus momentos.

Cito Marcel Proust “Sejamos gratos às pessoas que nos fazem felizes. Eles são os jardineiros encantadores que fazem nossas almas florescerem.”