Rui Oliveira

Nesta coluna, mensalmente, tentamos destacar o que de mais relevante sucede à escala mundial, nacional e local. É evidente que a subjectividade é determinante na escolha, e o que pode ser marcante para nós, poderá não ser para o caro leitor. Também não é garantido o rigoroso cumprimento em todas escalas, seja por falta de tema, ou de espaço ou na maioria dos casos, de inspiração.

Nos finais de Maio, fomos autenticamente “bombardeados” com mensagens relativas ao Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD). Genericamente estas novas leis destinam-se a defender a privacidade dos cidadãos, no tal mundo, cada vez mais global, que através do marketing digital, nos “assalta” frequentemente com telefonemas, mensagens e emails, com infinitas e variadas propostas.

Em Abril, destacamos a nível internacional, os tempos conturbados na relação Oeste-Leste com os aliados americanos, franceses e ingleses, talvez para se afirmarem internamente, a “desafiar” a Rússia lançando misseis contra alvos específicos na Síria, alegadamente relacionados com armas químicas. Tudo com medida e contenção, havendo o cuidado de pré-avisos que possibilitaram o salvaguardar dos interesses russos na zona. Pertinente a questão da guerra da Síria durar há sete anos e os aliados só se lembrarem da humanidade quando são usadas armas químicas. O importante será como se mata?

Nos próximos meses de Abril e Maio decorrerá o prazo para entrega do IRS que cada vez está mais automático. Este ano já não haverá entrega em papel e claro que obrigará os info-excluídos a recorrer a ajuda. Seja o próprio, ou tenha que valerse de amigos, familiares ou mesmo dos serviços das Finanças, será essencial contemplar o chamado IRS solidário. Falamos da parte do imposto que o contribuinte pode ofertar quando preenche a declaração de rendimentos. Assim pode encaminhar 0,5% do imposto para uma instituição, sem qualquer custo.

No mês de Fevereiro assistimos a um gesto simbólico de primordial importância para o mundo. As duas Coreias deram início aos Jogos Olímpicos de Inverno lado a lado, com os participantes vestidos de branco e sob a mesma bandeira, a da Coreia unificada transportada por atletas dos dois países. Ouviu-se uma música tradicional coreana querida por ambos os lados e considerada como o hino de uma Coreia unificada. No final da cerimónia, também foi interpretada o “Imagine” de John Lennon, já considerado o hino global da paz. Que seja mais do que simples tréguas olímpicas!

Iniciámos o ano com a disputa interna no PPD/PSD, num frente a frente de visões distintas da social-democracia (?). Esquecendo as quezílias estéreis, uma das principais questões acabou por se centrar nas vantagens e desvantagens de um hipotético bloco central. Ironicamente e por coincidência a Alemanha após quatro meses das eleições parece ter como solução governativa a formação de um novo bloco central. Lá, como cá, as juras e outras discussões teóricas em muitas das circunstâncias não passam de meras conjecturas vãs, face à realidade.

Sempre que um ano termina, é inevitável e recomendável uma retrospectiva. Dois mil e dezassete foi marcante pela negativa, face aos trágicos incêndios ocorridos, alguns muito perto do nosso concelho. Os dias 17 de Junho e 15 de Outubro ficarão registados para sempre na memória nacional, pelos piores motivos, esperando que nunca mais se repitam, aliás, é o mínimo que se exige ao Estado.

No início de Novembro realizou-se a 2ª Edição do Web Summit, considerada a maior cimeira tecnológica do mundo e que trouxe milhares de empreendedores ao nosso País. A Inteligência Artificial (IA) esteve em destaque e a Sophia e o Einstein, tiveram um diálogo impensável há poucos anos. Trata-se de dois robôs humanóides que dialogam, têm gestos e tiques de pessoas e que nos avisaram “que vão ficar com os nossos empregos”. Pois! Na indústria há décadas que os robôs substituíram as pessoas.

Ainda com as feridas de Pedrógão por sarar, nova tragédia assombrou o País, neste Outubro escaldante. Temperaturas elevadas, em véspera de chuva anunciada, empurraram o País para um autêntico inferno, em mais uma noite de terror, com dezenas de mortes. Repetição impensável. Confrontações díspares. Pinhais e eucaliptos a mais, agricultura a menos. Aquecimento global e fenómenos extremos. A violência das chamas e a fragilidade do ataque. A brutalidade e o desespero. Com erros e culpas da estrutura Estado. Outros “boys”, menos competência. Uma coisa é a realidade, outra é a querela política.

A maioria dos nossos leitores quando ler estas linhas já terá conhecimento dos resultados daquelas que foram as décimas segundas eleições autárquicas. Também já terão ouvido todos os líderes partidários e é provável que tenham chegado à estranha conclusão: não houve derrotados. Só vencedores!