XL Encontro Nacional de Teatro na Escola reúne em Alvaiázere 150 alunos e professores de todo o país

À semelhança do que já tinha acontecido há nove anos, em 2010, o Encontro Nacional de Teatro na Escola (ETE) voltou este ano a realizar-se em Alvaiázere, de 24 a 27 de abril, com organização a cargo do Agrupamento de Escolas de Alvaiázere.

Esta 40.ª edição do ETE trouxe a Alvaiázere onze grupos de teatro, oito deles participantes e três apenas observadores, e transformou a nossa vila no centro do mundo para cerca de centena e meia de alunos e professores oriundos dos mais variados cantos do país: Alvaiázere, Gaia, Fundão, Moimenta da Beira, Lisboa, Serpa, Alcochete, Alcains, Ílhavo, Ansião e Calheta (Madeira).

Mas afinal o que é e qual é a finalidade deste encontro? O ETE reúne anualmente grupos de teatro que funcionam nas escolas, em regime de complemento ou enriquecimento curricular. Este encontro é uma oportunidade de cada grupo dar a conhecer o seu trabalho, refletir sobre os trabalhos que são apresentados e aprofundar conhecimentos e vivências. Para além disso, alunos e professores têm a possibilidade de frequentar oficinas de formação dinamizadas por profissionais de diferentes domínios da atividade teatral.

A manhã do primeiro dia, 24 de abril, foi passada a receber os grupos e a distribuí-los pelos respetivos alojamentos. Os cerca de 150 jovens e professores ficaram instalados no Pavilhão Gimnodesportivo e no Parque de Campismo e as refeições foram fornecidas no refeitório da Escola Dr. Manuel Ribeiro Ferreira.

A sessão de abertura do ETE decorreu ao início da tarde, na Casa da Cultura de Alvaiázere. O primeiro a usar da palavra foi o professor João Caetano, coordenador do Clube de Teatro do Agrupamento de Escolas de Alvaiázere, que, em nome da Comissão Organizadora do Encontro, deu as boas vindas aos grupos presentes na Casa Municipal da Cultura e agradeceu às várias entidades que deram o seu apoio a este projeto. Aproveitou também a oportunidade para fazer a chamada de cada um dos grupos, tendo estes respondido com o seu grito de guerra ou uma pequena performance.

Citando o dramaturgo brasileiro Augusto Boal, Joana Félix, presidente da associação que garante a continuidade destes encontros (ETE, AC), começou a sua intervenção dizendo que “todos podemos fazer teatro, até os atores, e em qualquer lugar se pode fazer teatro, até nos teatros”. Foi com a convicção de que o teatro tem um valor educativo enorme, que há 40 anos atrás, em 1979, nasceu o primeiro encontro de teatro na escola. “Manter viva nas escolas a chama do teatro” é uma missão destes professores e alunos que, como Joana Félix afirmou, “advém da união de esforços e da comunhão de ideias”. Citando depois Carlos Celdrán, dramaturgo cubano a quem foi pedida a mensagem do Dia Mundial do Teatro, comemorado no dia 27 de março, a presidente da direção do ETE, AC afirmou que o teatro é “a tradição apaixonada e única de viver o presente sem outra expectativa que a de alcançar a transparência de um momento irrepetível. Um momento de encontro com o outro no escuro de um teatro, sem mais proteção do que a verdade de um gesto, de uma palavra reveladora”. Para tal é preciso coragem e quem mais poderia ter essa coragem senão os jovens presentes neste encontro? Foi a eles que Joana Félix dirigiu as palavras seguintes, apelidando-os de “os seres mais corajosos do mundo, ao trazer para o palco a sua vulnerabilidade, que é a sua força também”. As suas últimas palavras foram de agradecimento e gratidão, “ao Município e Agrupamento de Escolas de Alvaiázere por nos acolherem mostrando que também partilham da nossa paixão pelo teatro”.

“Somos pequeninos, mas unimos esforços e sinergias para os acolher a todos”. Foi com estas palavras que a professora Fernanda Silvério começou a sua intervenção, fazendo votos para que tudo corresse bem, “sejam felizes durante estes quatro dias”. A acontecer pela segunda vez em Alvaiázere, estes encontros dão competências e valores aos jovens e “criam uma união singular” entre eles, “ajudando-os pela vida fora”.

A encerrar os discursos, a vereadora da CMA, Sílvia Lopes, mostrou o seu contentamento em receber tantos jovens, agradeceu aos professores que vieram “afinal isto só é possível graças a eles e, claro, graças a vocês, alunos”. Considerando esta oportunidade única para partilharem e fazerem amizades, Sílvia Lopes terminou agradecendo ao Agrupamento de Escolas por ter “abraçado este desafio” e ter conseguido concretizá-lo.

E porque a principal razão deste encontro é o teatro, o grupo “Saidatoca”, como grupo de teatro responsável por este encontro, subiu ao palco e apresentou a sua peça, chamada “gente”, que, como refere a sinopse, “é uma coleção de histórias sem grande história que, afinal, também nos poderão contar a nossa própria história”. Apresentada a peça, a cargo de um dos quatro grupos de trabalho do Saidatoca, constituído apenas por alunas do Ensino Secundário, o público levantou-se e aplaudiu as jovens alvaiazerenses.

Ainda neste dia 24, o grupo “Os Imprevisíveis”, de Alcains, e o grupo “(En) cena”, de Serpa, apresentaram os seus trabalhos aos colegas. “A manta, uma história aos quadradinhos” é o nome da peça do grupo de Alcains e conta a história de afetos e lembranças de família, tecidas por uma avó omnipresente, sob a forma de uma manta de retalhos. Já a peça da escola de Serpa, “Vinte e cinco a sete vozes” dá resposta à pergunta “Que foi que aconteceu no dia 25 de abril de 1974?”. E, mais uma vez, a qualidade do trabalho apresentado pelos jovens atores mereceu o reconhecimento entusiástico do público.

No dia 25 de abril foram apresentadas mais quatro peças de teatro. O grupo da escola do Fundão apresentou “Uma história verídica” e “O que nos faz correr?”, dois textos que abordam o tema da (in)felicidade. “Dicionário” é o título da peça apresentada pela escola de Alcochete, em que uma protagonista quase silenciosa vive a sua vida como se fosse um dicionário, numa tentativa de corresponder às definições nele apresentadas. O grupo do Agrupamento de Escolas de Moimenta da Beira apresentou a peça “Adultério” e, a encerrar o dia, o Agrupamento de Escolas Eça de Queirós, de Lisboa, levou a cena a peça “Absurdamente … Absurdo?”.

De referir que ao longo deste dia três associações– Filarmónica Alvaiazerense de Santa Cecília, Alva Canto e Rancho Folclórico da Freguesia de Pussos – fizeram pequenas apresentações do seu trabalho, de modo a dar a conhecer aos participantes no Encontro a atividade cultural do nosso concelho.

A sexta-feira, dia 26 de abril, foi, em grande parte, ocupada com a realização de diversos ateliês de formação dinamizados por profissionais de teatro, que abordaram temáticas relacionada com o trabalho de ator e com a encenação, como, por exemplo, a voz e a oralidade, o movimento e a expressão corporal ou as técnicas de improviso.

Ao final da tarde foi apresentada a última peça dos grupos participantes, “Auto dos quatro tempos”, pela Escola Secundária Inês de Castro, de Gaia. Trata- se dum auto religioso de Gil Vicente, ao qual este grupo deu uma toada ecuménica de louvor à mãe natureza, reafirmando a fé no futuro da humanidade.

E, como já é habitual nestes encontros, as apresentações teatrais concluíram- se nessa noite com a atuação dum grupo convidado. Assim, “O Tal – Oficina de Teatro de Alvaiázere” (secção de teatro da Alva Canto) trouxe ao palco da Casa Municipal da Cultura a peça “Fando e Lis”, de Fernando Arrabal.

Neste penúltimo dia do Encontro, os participantes e convidados participaram num jantar volante com prova de alguns produtos regionais, confecionado e servido pelos alunos e professores da ETP Sicó – polo de Alvaiázere e oferecido pela Associação de Pais do Agrupamento de Escolas. Para terminar o programa da melhor maneira, e porque era a última noite de convívio entre todos, o salão dos bombeiros voluntários acolheu o teclista Síncopa, que proporcionou a todos animados momentos de música e diversão.

Depois do trabalho intensivo dos dias anteriores, o último dia, sábado 27 de abril, foi de relaxamento e despedida. As temperaturas mais agradáveis que se fizeram sentir proporcionaram um passeio pedestre até à capela de Nossa Senhora dos Covões, onde se realizou um pequeno piquenique tradicional. Seguiu-se a sessão de encerramento na Casa Municipal da Cultura, que decorreu em ambiente de festa, mas já com alguma saudade à mistura, e, depois do almoço, os grupos regressaram a casa.

De realçar que só foi possível concretizar este Encontro Nacional de Teatro graças ao apoio da Câmara Municipal de Alvaiázere, das Juntas de Freguesia do Concelho e da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas de Alvaiázere. Para o seu sucesso contribuiu também o apoio de algumas empresas e de várias associações e instituições do concelho que se disponibilizaram a participar nas atividades do Encontro ou cederam espaços para a sua realização.

Um encontro marcado pela perfeita organização com uma programação rica e diversificada que potenciou a formação integral de todos os envolvidos, estando de parabéns a comissão organizadora, com destaque para os professores Celestina Silva e João Caetano, pelo entusiasmo e trabalho desenvolvido na área da arte do teatro.

A todos, o Agrupamento de Escolas de Alvaiázere e a Comissão Organizadora deste encontro deixa o seu profundo agradecimento.

Ana Catarina de Oliveira