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31 de Agosto de 2009
As entrevistas aos líderes da oposição nas juntas
Na senda do esclarecimento do trabalho autárquico desenvolvido pelas várias Assembleias de Freguesia do Concelho, solicitámos a colaboração de todos os líderes da oposição para responder às presentes questões. Ficam as respostas daqueles que aceitaram responder.
Questões:
1 - Em fim de mandato, como avalia o trabalho desenvolvido pelo executivo da Junta de Freguesia?
2 - Acha que a actividade desenvolvida foi adequada às necessidades da população? Há alguma iniciativa
ou projecto que faria de forma diferente?
3 - Como tem sido a relação entre a Assembleia e a Junta de Freguesia?
4 - Vai recandidatar-se à presidência da Junta? Porquê?
Joaquim Rosa
Almoster
PS
1 - Em fim de mandato, como avalia o trabalho desenvolvido pelo executivo da Junta de Freguesia?
A minha avaliação ao trabalho desenvolvido pela Junta de Freguesia durante este mandato é negativa, porque dos 14 pontos do seu programa, apenas concretizaram um, que foi a construção da casa mortuária. Quanto à requalificação urbana no adro norte da Igreja e sede da Junta, obra que não foi da sua responsabilidade, nunca foi concluída, porque os canteiros não foram ajardinados e a Junta nunca deu uma explicação plausível para esta deplorável situação. Convém referir que se trata dum espaço nobre, entre a Igreja e a Sede da Junta.
Lamento que a consolidação e preservação das ruínas da igreja velha de Almoster tenha sido, mais uma vez, totalmente esquecido por este executivo que, por de não ter ideias para aquele local, também não promoveu a sua discussão com as forças vivas da freguesia.
Também num dos pontos do seu programa, se propunham, "criar um centro de interpretação na escola de Ariques..." mas o edifício continua vandalizado e a degradar- se e que se saiba a Junta nada fez para alterar esta situação. Convém esclarecer que a Câmara também é responsável por esta degradação, porque desde que a escola foi desactivada, não tomou qualquer iniciativa para sua defesa e conservação. Lamentável.
2 - Acha que a actividade desenvolvida foi adequada às necessidades da população? Há alguma iniciativa ou projecto que faria de forma diferente?
É evidente que não. Considerando a conclusão da casa mortuária muito importante, há outras necessidades prementes, das quais destaco a beneficiação e abertura de caminhos agrícolas e florestais. Na freguesia de Almoster há muitas propriedades que não tem qualquer acesso. Cito, por exemplo, propriedades junto da ribeira em que os acessos eram através do curso de água, tarefa hoje impossível devido a vários condicionalismos, alguns de ordem legal. Outros acessos que, antigamente, eram caminhos para animais de carga ou de carros de tracção animal, não têm sido mantidos nem reconvertidos, de modo a permitirem a passagem de tractores. A falta destes caminhos está na origem do abandono de florestas e campos agrícolas. No sentido de resolver esta situação, a oposição apresentou uma proposta de deliberação na Assembleia de freguesia em 3 de Julho do corrente ano, aprovada por maioria, na qual se encarrega o executivo de inventariar e desenvolver acções para colmatar esta lacuna.
Em resposta à segunda parte desta pergunta, é óbvio que faria de forma completamente diferente, a construção da casa mortuária. Nunca concordei com o modelo seguido pela Junta na prossecução daquele projecto Construíram o imóvel em terreno da igreja paroquial, sem terem firmado um acordo prévio, ou qualquer contrato ou escritura que desse poderes à autarquia na gestão e defesa do seu investimento, cerca de 70.000 euros, suportados na quase totalidade pelo executivo, à excepção de 8.200 euros de ajudas da população. Por isso, quando concluíram a obra a Junta estava de mãos atadas e entregou a casa à igreja, de forma ilegal em meu entender, porque não solicitou autorização à Assembleia de freguesia. Entendo que o investimento feito pela autarquia com dinheiros públicos, devia, forçosamente, pertencer-lhe e ser incluído no seu património.
Também faria de modo diferente a gestão da autarquia. Nunca aceitei nem aceito que os terrenos que a Junta adquiriu, alguns há mais de uma década, onde está construído o campo de jogos e parque de merendas, ainda estejam em nome dos respectivos proprietários, não tendo a Junta qualquer título de propriedade, apesar de eu levantar esta questão em quase todas as Assembleias de freguesia. Situação idêntica, também se verifica nos terrenos junto ao cemitério e com este tipo de gestão o executivo não defende o património da autarquia e deixa situações muito complicadas para futuros executivos.
3 - Como tem sido a relação entre a Assembleia e a Junta de Freguesia?
A relação entre a Assembleia e a Junta foi a possível. Inicialmente mais complicada em que a Junta se apoiava na maioria PSD que tudo aprovava, bem ou mal, com a cumplicidade do Presidente da Assembleia de freguesia, mas, ao longo do mandato verifiquei que houve evolução positiva e a Oposição viu propostas suas aprovadas por maioria e unanimidade, pese o facto de não se verificar ainda qualquer execução prática.
4 - Vai recandidatar-se à presidência da Junta? Porquê?
Nas próximas eleições, não me recandidato à presidência da Junta, por dois motivos:
Em primeiro lugar, porque não fui o eleito em 2005 e não faz sentido insistir numa eleição que os eleitores já recusaram.
Em segundo lugar, como defendo dois mandatos para os cargos políticos, tal como para a Presidência da República, não fazia qualquer sentido voltar a recandidatar-me, porque já estou há dois mandatos na Assembleia de freguesia.
Por último, aproveito esta oportunidade para agradecer ao Partido Socialista, o apoio dado à minha candidatura como independente nas suas listas, não exigindo nada em troca, dando-me total liberdade de actuação ao longo destes dois mandatos.
António Gonçalves
Alvaiázere
PS
1 - Em fim de mandato, como avalia o trabalho desenvolvido pelo executivo da Junta de Freguesia?
Uma avaliação pressupõe analisarmos o trabalho feito, como foi feito e a qualidade do que foi feito face às promessas e às possibilidades de quem o fez. Se quantificarmos o trabalho feito pelo executivo face às necessidades da população teremos que o avaliar negativamente. A maneira como foi feito, a qualidade com que foi feito e a quem foi feito também não merece grande nota. Verificaremos que, por exemplo, em obras feitas pela junta com a participação da população em doação de terrenos ou autorização para cortes de árvores ou ainda destruição de muros e paredes, o agradecimento ou a paga não é uniforme. Reconstroem-se muros a uns e não a outros, fazem-se muros a quem os não tinha e deixam-se propriedades abertas a outros que as tinham fechadas, melhoram-se entradas para propriedades a uns e deixam-se devassadas a outros.
A prestação de alguns serviços administrativos à população poderão merecer nota positiva, mas teremos que ver que a sua prestação e a sua qualidade deve conter um dever cívico e um dever obrigatório porquanto para isso se pagam impostos e taxas. Além disso alguns são pagos pelos utentes.
2 - Acha que a actividade desenvolvida foi adequada às necessidades da população? Há alguma iniciativa ou projecto que faria de forma diferente?
Não. As necessidades da população são muitas e a prestação de serviços é relativamente pouca para essas necessidades. Com a agravante de a maioria dos serviços prestados pela Junta de Fregusia à população ter de ser paga, para ser uma fonte de receita para a mesma. Além disso fizeram-se promessas durante a campanha para as últimas eleições autárquicas que não foram cumpridas, nem sequer, com certeza, a sua feitura foi proposta ou simplesmente sugerida. No entanto, quase apostamos, irão ser novamente arma de campanha do novo candidato que por sinal é o mesmo. Duas dessas promessas serão a construção da casa mortuária e a toponímia da freguesia de Alvaiázere. Temos que ver que uma legislatura tem 4 anos, o mesmo que 48 meses, o mesmo que 1461 dias ou ainda 35064 horas. Para o tamanho da freguesia, para a quantidade de habitantes, para o número de lugares, ruas e ruelas, não teria sido um trabalho hercúleo para tanto tempo. Nem com certeza despesa faraónica (assim se pensasse noutras obras), o que nos leva a crer que apenas há falta de respeito para com as populações e para com os eleitores a quem se mente e mete medo.
3 - Como tem sido a relação entre a Assembleia e a Junta de Freguesia?
A relação entre Assembleia e Junta de Fregusia tem sido cordial e institucional. Outra coisa não seria de esperar de pessoas civilizadas.
4 - Vai recandidatar-se à presidência da Junta? Porquê?
Não. Para mim esta experiência autárquica foi decepcionante e por conseguinte não entraria novamente na mesma aventura. Eu esperava e pensava que a freguesia (junta e assembleia) fosse uma instituição onde a população fosse desconhecida partidariamente em termos políticos, onde ela fosse servida sem cor política e onde em prol dela se lutasse perante instituições e organizações superiores. Não uma instituição onde apenas se gere ou tenta gerir da melhor maneira o dinheiro que se tem por direito institucional e algumas migalhas, maiores ou menores, conforme se presta vassalagem ao boss superior autárquico ou partidário. Como isso não se coaduna com a minha maneira de ser nem de pensar, como não ando à procura de protagonismo nem de complemento monetário para os meus rendimentos profissionais, como não tenho propensão para a mentira nem para amedrontar a população, como não tenho nem nunca tive feitio para a vassalagem nem para andar a engraxar ninguém, cheguei à conclusão que a minha recandidatura só poderia prejudicar a população se não ganhassemos as eleições em toda a sua linha e como nas últimas eleições os eleitores por clubite, medo, falsas opiniões a meu respeito, ou por não me julgar melhor colocado e preparado para os defender, me não deu a vitória...
Henrique Rosa
Maçãs de D. Maria
PS
1 - Em fim de mandato, como avalia o trabalho desenvolvido pelo executivo da Junta de Freguesia?
Ao longo deste mandato cheguei à conclusão que o trabalho do executivo ficou aquém das expectativas tendo em conta o seu manifesto eleitoral, ficando muitas ideias apenas no "papel". Por exemplo: a reabilitação do cemitério velho que se encontra cada vez mais degradado estando fechado a cadeado por não apresentar as condições necessárias para poder ser aberto ao público. Na minha opinião o executivo tem a obrigação de pressionar o I.P.A.R. para que este problema seja resolvido rapidamente. Considero que isto se torna vergonhoso para o povo maçanense perante as pessoas que nos visitam. A casa à entrada da vila, que o executivo se propôs a encontrar uma solução, continua tal como estava apenas com a agravante de se apresentar mais degradada após estes quatro anos.
E como estes casos existem outros, tais como: a Serra de Santa Helena, zona industrial na Relvas, praia fluvial, entre outros que continuam sem solução.
Em suma, neste mandato houve falta de projectos tendo sido mais uma continuação daqueles iniciados anteriormente. Sou a favor da mudança porque acho que as mesmas pessoas muito tempo no mesmo lugar se tornam acomodadas e com falta de ambição. É necessário dar oportunidade a outras com vontade de mostrar trabalho.
2 - Acha que a actividade desenvolvida foi adequada às necessidades da população? Há alguma iniciativa ou projecto que faria de forma diferente?
De acordo com a actividade desenvolvida esta foi, por vezes, adequada às necessidades da população. Mas o povo maçanense merece e necessita de muito mais, tal como:
- Incentivar a fixação de jovens casais criando uma zona de urbanização onde os lotes sejam a um preço simbólico;
- Construção de uma circular externa;
- Extensão do saneamento básico a toda a freguesia.
Uma das coisas que faria de forma diferente seria a aquisição do "Armazém das Cinco Vilas" que actualmente foi adquirido pela Câmara Municipal com a finalidade de habitação social. Não posso concordar, de maneira nenhuma, que uma obra desta grandeza e que tanto orgulhou todos os maçanenses, por ter sido o maior espaço comercial e de lazer na zona nos anos quarenta e situado na rua principal da vila, venha a ser um espaço para habitação social. Concordo que se faça habitação social mas não no Armazém as Cinco Vilas e muito menos no centro da vila, até porque o espaço não é suficiente para abranger as necessidades de habitação social na freguesia.
Acho que é urgente a sua restauração. A minha sugestão é: no rés-do-chão fazer uma espécie de centro comercial; nos dois pisos superiores, aumentando o edifício e aproveitando todo o terreno para as traseiras, construir apartamentos que serviriam para alugar ou vender; a cave ficaria para garagens.
Assim seria, seguramente, um destino mais correcto para este edifício dando assim continuidade ao projecto para o qual foi construído pelo Sr. António Gameiro, o qual merece muito respeito por tudo aquilo que fez por Maçãs de D. Maria.
3 - Como tem sido a relação entre a Assembleia e a Junta de Freguesia?
A relação entre a Assembleia e a Junta de Freguesia tem sido razoável sempre com a discussão de assuntos do interesse da freguesia. Notou-se ao longo destes quatro anos uma enorme falta de trabalho de grupo, tendo o executivo decidido certos assuntos sem antes serem discutidos na Assembleia de Freguesia.
Esta situação é um mal que se vem arrastando há longos anos. Está na altura de esquecer as cores políticas e trabalhar em grupo porque acho que todos nos candidatamos com o mesmo fim: trabalhar para que a população tenha uma melhor qualidade de vida e se orgulhar de ser maçanense.
4 - Vai recandidatar-se à presidência da Junta? Porquê?
Nestas eleições autárquicas decidi não me recandidatar à presidência da Junta de Freguesia porque tenho a certeza de que encontrámos a pessoa certa para este cargo. É alguém com disponibilidade e que conhece bem toda a população e as suas necessidades. No entanto continuarei a fazer parte desta equipa capaz de fazer muito mais e melhor por esta freguesia que tanto merece.
Maria Celeste Brás
Pussos
PS
1 - Em fim de mandato, como avalia o trabalho desenvolvido pelo executivo da Junta de Freguesia?
A minha avaliação é de que o trabalho da Junta de Freguesia se tem pautado num quadro de continuidade, daquilo que habitualmente, tem sido a execução das atribuições da Junta de Freguesia.
Para além da execução das tarefas que lhes estão adstritas a nível administrativo e da envolvência nas obras de saneamento básico, penso que poderia ser mais interventiva a nível de limpeza de bermas das estradas em asfalto e das estradas em paralelos (calçadas), que construídas há dezenas de anos necessitam de limpeza profunda da biomassa que se encontra sobre as mesmas.
2 - Acha que a actividade desenvolvida foi adequada às necessidades da população? Há alguma iniciativa ou projecto que faria de forma diferente?
De forma global, a actividade desenvolvida pela Junta de Freguesia foi adequada às necessidades da população, nomeadamente, nas ajudas monetárias às instituições da Freguesia, à intervenção lúdico-social com os passeios anuais de idosos, bem como a generalidade das actividades realizadas.
Um dos aspectos que faria de forma diferente seria reduzir a quantidade da iluminação pública de Natal, que é um gasto excessivo para consequências efémeras. Acho que as verbas públicas devem ser aplicadas num quadro em que prevaleça também a utilidade, principalmente em tempo de parcos recursos. Canalizaria parte desse investimento para aspectos mais consentâneos com as necessidades da população.
Procuraria também, em conjunto com os organismos competentes, reparar e promover o aproveitamento de edifícios públicos desactivados.
3 - Como tem sido a relação entre a Assembleia e a Junta de Freguesia?
A relação entre a Assembleia e a Junta de Freguesia tem-se desenvolvido dentro dos parâmetros normais de cordialidade.
4 - Vai recandidatar-se à presidência da Junta? Porquê?
Não, porque depois do resultado de há quatro anos, penso que deve ser encontrada outra pessoa que melhor congregue o voto dos eleitores.
Acho também que se deve abrir o leque e atrair novos candidatos e, consequentemente, mais eleitores.