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31 de Agosto de 2009
Entrevistas ao presidente da Câmara Municipal de Alvaiázere - Paulo Tito Morgado e ao líder da oposição - Fernando Simões
Em fim de mandato, o presidente da Câmara Municipal de Alvaiázere
Paulo Tito Morgado, em entrevista
O Alvaiazerense - Em fim de mandato, que balanço faz, no geral, do trabalho desenvolvido pelo executivo que lidera?
Paulo Morgado - O Povo é que irá julgar nas próximas eleições autárquicas.
Resolvi inúmeros problemas que se arrastavam, nalguns casos, há 10 anos; concluí as várias obras que transitaram do Executivo anterior; encetei um trabalho sem precedentes em matéria de Organização da estrutura Municipal e de Planeamento Estratégico para o Concelho para os próximos 20 anos; elaborei mais de meia centena de projectos; iniciei, e em alguns casos concluí, mais de duas dezenas de obras.
Oiço muitas vezes dizer que o primeiro mandato é para "conhecer", o segundo para "fazer" e o terceiro para "folgar"! A mim, bastou-me um ano para "conhecer"! Ao segundo ano já estava a "fazer"! Só não tive ainda tempo para "folgar"!
Tendo em conta o intenso trabalho que desenvolvi ao longo destes quase quatro anos, sinto-me sereno e confiante.
Creio que as pessoas têm clara consciência do arrojo que tive em ter encetado tão profundas alterações e da coragem em ter rompido cenários de tradicional imobilismo. Com o meu espírito inconformista, iniciei fortes dinâmicas, as quais espero resultem muito positivamente num futuro próximo para bem de Alvaiázere e dos Alvaiazerenses.
O Alv. - Que prioridades adoptou para a tarefa de "desencravar" Alvaiázere? E no "desafio da modernidade", a que se propôs, que medidas e projectos iniciou e/ou implementou?
PM - Desde o início do mandato (Nov./2005), procurei simultaneamente vários caminhos para "desencravar Alvaiázere": - Lutei por melhores acessibilidades Nacionais/ Regionais (IC3, EN350, EN 356); - Promovi a realização de acessibilidades intermunicipais (Ferreira do Zêzere, Ourém, Ansião); - Iniciei a revisão do PDM, (recordo que a primeira versão do PDM em vigor desde 1997, contém erros e omissões graves, constituindo-se muitas vezes um sério factor de constrangimento ao desenvolvimento do concelho); Elaborei um Plano de Desenvolvimento Estratégico (PD-ICE) o qual define as prioridades estratégicas e as acções a levar a efeito em Alvaiázere nos próximos 20 anos; Elaborei a "Avaliação e promoção do potencial turístico do concelho" e as expectativas medidas de acção; Após a definição do traçado do IC3 e dos respectivos nós de ligação iniciei um estudo para a construção de uma moderna Área de Localização Empresarial (ALE); Encetei uma profunda remodelação organizacional da estrutura da Autarquia em matéria de modernização administrativa, preparando-se para os desafios do futuro.
Estes são apenas alguns exemplos das muitas medidas já tomadas e dos muitos projectos já iniciados para responder aos desafios de modernidade para Alvaiázere.
O Alv. - Quais os pontos críticos a nível social e económico, que encontrou, e em que teve maiores dificuldades para solucionar?
PM - A nível social foram inúmeros os problemas encontrados:
- Agregados familiares com graves carências económicas, (desemprego, empregos precários, pensões e reformas de miséria, desorganização funcional de agregados familiares, etc); - Em famílias com crianças muito pequenas, e em casais de idosos em idade muito avançada, o parque habitacional apresenta frequentemente graves deficiências e precariedade.
A nível económico forma muitos os problemas encontrados:
A economia portuguesa esteve sempre em queda ao longo de todo o período a que se reporta o meu mandato. A construção civil, os têxteis/confecção e os transportes, foram os sectores que maiores problemas atravessaram nos últimos anos e consequentemente os que mais caíram. Estes sectores representavam mais de 60% da actividade económica do concelho de Alvaiázere.
Como é óbvio, com este nível de dependência, Alvaiázere cresce pujantemente em épocas de expansão destes sectores, e sofre graves problemas em épocas de recessão dos mesmos. Foi o que ocorreu nos últimos anos em Alvaiázere. Apesar de todos os esforços, vi-me impotente para evitar o encerramento de duas unidades fabris do sector têxtil no concelho, as quais empregavam cerca de 70 trabalhadores no seu conjunto.
Num dos casos, para evitar o encerramento, lançaram-me o desafio de ceder dois lotes de terreno na Zona Industrial da Aveleira para diversificação/alteração da actividade. Acreditei, levei prontamente a proposta a reunião de Câmara, e passadas três semanas a empresa encerra para férias e não mais reabre portas, tendo os seus responsáveis desaparecido.
Outro ponto crítico a nível económico prende-se com o facto de não ter ainda uma Área de Localização Empresarial com qualidade e dimensão devidamente infraestruturada, capaz de responder à procura do mercado e aos desafios dos tempos futuros.
Apesar dos tempos de crise que a economia atravessa, estabeleci vários contactos com potenciais investidores, os quais perderam sempre todo o interesse, ao visitar os 5 lotes ainda disponíveis na Zona Industrial da Aveleira. Outro contacto para criar 130 postos de trabalho necessitava de 10hectares numa Zona Industrial devidamente infraestruturada.
A minha preocupação tem sido a de criar condições de preservação dos postos de trabalho actualmente existentes e de fomentar rapidamente a construção de uma Área de Localização Empresarial capaz de atrair investimento de qualidade e de criar postos de trabalho. O estudo para a construção de uma moderna Área de Localização Empresarial (ALE) foi iniciado em 2008 e deverá estar concluído no final do corrente ano. Já no decurso de 2009 garanti o financiamento de quase 1,5Milhões de Euros do QREN para a construção das infra-estruturas da ALE, valor que tem que ser investido até 2013 (final do QREN).
O Alv. - No contexto do PD-ICE, na abordagem estratégica fundamental aí definida, e tendo presentes os projectos do parque eólico, do IC3, de projectos de aproveitamento do potencial turístico e outros, a "Rede Natura 2000" é uma oportunidade ou é um entrave para o nosso concelho e região?
PM - A RN2000 tem potencial para ser um factor de desenvolvimento do território no futuro, caso se alterem mentalidades, procedimentos e atitudes.
Até agora, tem-se mostrado um forte entrave ao desenvolvimento do concelho.
Apesar do imenso território do concelho ocupado por Rede Natura 2000 (47%), nunca vi até hoje a entidade gestora dessa mancha (ICNB) assumir as suas responsabilidades em matéria de gestão activa do sítio, nomeadamente em matéria de limpeza, abertura de caminhos e outras acções tendentes à preservação da biodiversidade. Até agora, a única atitude que têm tomado é a de proibir: desde o parque eólico à abertura ou limpeza de caminhos, passando pelo IC3 ou pela construção ou reconstrução de um simples muro, a única acção até agora tomada é proibir!
Veja-se o que aconteceu por exemplo com o caminho na serra de Ariques que foi reconhecido essencial pela Comissão Municipal de Defesa da Floresta contra incêndios, e como tal aprovado por unanimidade, mas porque na altura a Câmara Municipal de Alvaiázere não tinha Engenheiro Florestal, por lapso não solicitou autorização escrita ao ICNB, foi "o carmo e a trindade", apoiado por algumas pessoas, forças políticas e órgãos de comunicação social que colocaram os seus particulares interesses acima dos interesses do Concelho. Isto é tanto mais grave porquanto sabemos que em todos os outros concelhos foram abertas estradas sem a posse do referido documento e tal não acarretou qualquer problema! São as politiquices de um concelho pobre e que alguns querem "preservar" pobre!
Mas felizmente noto com satisfação que nos últimos tempos tem havido alguma mudança de atitude no sentido positivo, por parte do ICNB.
Constata-se estar a haver uma atitude menos fundamentalista e uma maior predisposição para o diálogo. O ICNB isoladamente não tem qualquer capacidade para a gestão activa e para a preservação do sítio, necessitando de uma política de diálogo e de parceria com a autarquia. Este será certamente o caminho correcto e, por essa via, estou em crer que no futuro próximo a RN2000 passará a ser uma clara oportunidade.
O Alv. - Em termos de ajuda, ou alavancagem económica camarária, à criação privada de postos de trabalho, fixação de empresas e de população, nomeadamente os jovens qualificados, o que tem sido feito?
PM - O PD-ICE (Plano de Desenvolvimento Estratégico - Inovação, Competitividade e Empreendedorismo) definiu como prioridades o desenvolvimento duas grandes áreas: - A aposta no sector do Turismo; - A construção de uma Área de Localização Empresarial.
Turismo: A) Lancei em 2007 um projecto para a construção de uma unidade hoteleira na Serra de Alvaiázere, com capacidade para criar 54 postos de trabalho directos e cerca de 60 postos de trabalho indirectos. A respectiva candidatura feita em 2008 ao programa comunitário PROVERE aprovou em Julho último 6Milhões de Euros para a sua construção. O Presidente da Entidade de Turismo do Centro ajudou-me a estabelecer já os primeiros contactos com dois grandes grupos nacionais a operar no sector do Turismo para "agarrarem o projecto" e lhe darem corpo. Para além dos postos de trabalho directos e indirectos gerados com este projecto, ganhará em muito o comércio local, mas também os pequenos produtores agrícolas pela capacidade de escoamento de produtos endógenos; B) Foi também adquirida em 2007 uma casa apalaçada, no centro da Vila de Alvaiázere, e para a qual foi também já garantido um financiamento de 4,1Milhões de Euros para a adaptação a unidade hoteleira de charme. Garante-se assim também a preservação de um importante património arquitectónico do Concelho; C) Lancei em 2008 um projecto de recuperação de 12 escolas primárias desactivadas e a sua reconversão em unidades de alojamento/centros de interpretação. Este projecto teve uma visibilidade a nível nacional como projecto de excelência sendo considerado no PROVERE das Aldeias de Xisto o melhor projecto de entre os cerca de 700 projectos apresentados. Para além disso, tem também a garantia de financiamento por parte da empresa FINERGE (Promotora do Parque Eólico de Alvaiázere) caso o parque eólico da Serra venha a ser aprovado. D) Consciente da importância que os achados arqueológicos podem trazer ao turismo e a Alvaiázere, consegui aprovar 750.000Euros para os trabalhos de escavação na zona do Campo e da Rominha. Pretendo assim assegurar que, ao contrário do que aconteceu num passado recente, as escavações se fassam por instituições e pessoas tecnicamente avalizados, e aos proprietários sejam pagas as justas indemnizações pelos terrenos intervencionados.
Área de Localização Empresarial: foi encomendado à SPI (Sociedade Portuguesa de Inovação) o estudo do seu modelo e da sua localização. O trabalho divide-se em 5 etapas, tendo já sido concluída e entregue ao Município a 3ª etapa em Março do corrente ano. O mesmo estudo deverá estar concluído até final de 2009, altura em que deverá iniciar-se o plano de pormenor e o projecto de construção das infra-estruturas da Área de Localização Empresarial. Para a construção das infra-estruturas foi garantido recentemente no QREN quase 1,5Milhões de Euros.
Foi ainda feito um esforço de melhoria da Zona Industrial da Aveleira, (infra-estruturas de saneamento básico e pavimentação).
Criei no Município um gabinete especializado para apoio ao investidor denominado GPDAE - Gabinete de Planeamento e Dinamização da Actividade Económica, o qual estando a funcionar desde Setembro/2008 tem já um intenso trabalho de apoio a empresas e instituições do Concelho.
O Alv. - A requalificação urbana nos moldes empreendidos terá esse efeito, prioritariamente em relação à instalação de um parque empresarial?PM - A requalificação Urbana encetada na Vila, nas sedes de freguesia, e nas localidades de maior dimensão visa cumprir vários objectivos: - criar condições de atractividade e qualidade de vida no meio urbano; - Reduzir a pressão para a construção dispersa no território; - Aumentar consideravelmente a oferta de terrenos para construção em meio urbano, levando assim a uma baixa de preços dos terrenos para construção e, consequentemente, evitando por esta via que os jovens procurem os concelhos vizinhos para residir, onde, em regra, os terrenos e as habitações têm preços mais baixos.
O Alv. - Recentemente foi anunciado a aprovação de financiamento para a "Unidade Hoteleira da Serra - Espaço de Acolhimento". Em que consiste este projecto?
PM - Trata-se de uma unidade hoteleira de 4 estrelas, que terá, entre outras coisas, numa 1ª fase: 31 quartos, piscina interior e exterior, ginásio, sauna, jacuzzi, massagens e fisioterapia, restaurante panorâmico, salões para banquetes, conferências, encontros e reuniões, bar interior e esplanada.
Alguns destes serviços poderão ser concessionados a terceiros para exploração do respectivo negócio. O Projecto prevê a possibilidade de expansão do número de quartos dentro da mesma linha arquitectónica, sem necessidade de danificar ou alterar a 1ª fase da Unidade.
Temos já assegurado um financiamento comunitário de 6Milhões de Euros (contrato PROVERE assinado em Julho último), e estamos neste momento a encetar os primeiros contactos com dois importantes grupos empresarias nacionais a operar no sector do Turismo.
O Alv. - Na questão da "Pedreira", afinal o que está em causa: é o seu alargamento ou o seu encerramento?
PM - O que está em causa é o alargamento para SW, com o consequente afastamento das povoações da Mata e do Zambujal, e a obrigação de recuperação ambiental da actual zona de exploração. Como é óbvio, o processo de alargamento permitirá a manutenção da actividade e dos postos de trabalho, caso contrário, o encerramento será uma inevitabilidade no futuro.
O Alv. - Relativamente ao IC3, em que se empenhou afincadamente, e em que teve grande apoio e sensibilidade do governo socialista, como vê a posição do PSD nacional de o bloquear, chamando-lhe "auto-estrada rosa" e considerando-a um luxo?
PM - A pergunta é um equívoco!
Consciente da necessidade e importância do IC3 para "desencravar Alvaiázere", desde o inicio do mandato que dediquei boa parte do meu esforço a este tema. Consegui que o processo saísse da gaveta. Lutei por um traçado que melhor interessasse a Alvaiázere. Em alternativa, conquistei três nós para servir de forma eficiente o Concelho.
Importa pois esclarecer o seguinte: 1) Decorre do Código da Estrada, os IP's e os IC's têm uma velocidade máxima de circulação de 100 Km/ hora; 2) O estudo prévio do IC3 que desde inicio esteve em cima da mesa previa uma velocidade de 100 Km/hora; 3) Em Junho de 2008, quando o Governo lançou o concurso público internacional para a Concessão do Pinhal Interior Norte, alterou as regras do jogo e passou a exigir que o IC3 fosse previsto para 120 Km/hora, ou seja, com as características de Auto-Estrada.
Inicialmente (para 100 Km/hora) o custo estimado era de 700 Milhões de Euros. Com esta alteração, das quatro propostas apresentadas em Set./2008, a mais baixa era do consórcio liderado pela Mota-Engil com 1.400Milhões de Euros (o dobro do inicialmente previsto!). Foi aí que, perante um cenário de crise em que o País se encontrava, a líder do PSD disse que o País não precisava de mais uma Auto-Estrada entre Lisboa e Porto. Perante a polémica, o Governo recuou, e para evitar ter que anular o concurso, solicitou aos quatro concorrentes para apresentarem novas propostas, agora para 100 Km/hora (perfil de IC novamente). Ainda assim, a melhor proposta veio a ser novamente do consórcio liderado pela Mota-Engil com 59% acima do valor da base!
Perante isto a comissão de avaliação da Estradas de Portugal S.A. equacionou a possibilidade de propor ao Governo a anulação do presente concurso e o lançamento de novo concurso com as regras inicialmente previstas.
A líder do PSD disse o que disse! E eu direi mais: Tanta trapalhada era evitada! Quem confunde um IC (100Km/h) com uma Auto-estrada (120Km/h) também é capaz de confundir a "Estrada da Beira" com a "beira da estrada". Um IC é um IC! Sem portagens! E é isso que sempre reclamei!
Uma coisa também podem ter a certeza: Com o aeroporto de Alcochete em construção, de uma só vez ou por fazes, o IC3 vai "obrigatoriamente" ser uma realidade sem retorno. Ligando Setúbal a Coimbra passa pelo novo aeroporto de Alcochete, pelo que será uma inevitabilidade.
O Alv. - Sobre o relacionamento institucional e político, como foi com as Juntas, com a Assembleia Municipal, com as instituições e associações, e já agora, com os representantes da oposição?
PM - Julgo que sempre obtive o maior respeito dos representantes da oposição, facto que foi recíproco da minha parte para com eles. Nunca discriminei positiva ou negativamente ninguém, fosse de que cor partidária fosse. Por procurar essa isenção cheguei mesmo a receber críticas de simpatizantes do PSD que desde sempre me apoiaram.
Aliás, se senti alguma hostilidade foi de elementos que se dizem do PSD, e que, talvez por "querem sê-lo e nunca o terem conseguido" sempre procuraram subtilmente, de forma quase indelével e em surdina fazer oposição. Quer no Executivo, quer na Assembleia Municipal, até hoje, todos os assuntos por mim levados a votação, foram sempre aprovados por unanimidade!
Com as juntas de freguesia, em regra, sempre houve um bom relacionamento institucional. Tenho procurado colaborar com tudo o que me pedem, seja ao nível de materiais, máquinas e camiões, contratação de serviços e até importantes apoios financeiros.
O Alv. - Na proximidade das legislativas, a nível nacional que análise faz da actuação do governo socialista? E da oposição social-democrata?
PM - O Governo socialista, até há bem pouco tempo, só via grandes obras, grandes projectos, grandes investimentos, grandes números. Demorou demasiado tempo a perceber que a base de sustentação económica e de criação de emprego do país são as micro, pequenas e médias empresas.
Centralizou para si os fundos comunitários do QREN e demorou demasiado tempo a disponibilizar o que deles resta às autarquias e à iniciativa privada.
Virou-se exclusivamente para as cidades e esqueceu o mundo rural. Deu a machadada final na agricultura ao restringir ferozmente a comercialização dos produtos dos pequenos agricultores: com as regras actuais ninguém pode vender uma galinha ou um litro de azeite da sua produção.
Os resultados estão à vista: - O tecido produtivo (indústria, comércio e agricultura), sobretudo as micro, pequenas e médias empresas, estão a atravessar talvez a mais grave crise dos últimos 30 anos; - A taxa de desemprego a subir, e só não é maior porque é camuflada com programas ocupacionais e de formação; - O défice a aumentar bruscamente; - Os problemas sociais a agudizarem-se dia-a-dia.
Perante este cenário concordo que a oposição social-democrata teve e tem condições para fazer mais e melhor oposição.
O Alv. - Nas autárquicas, é recandidato à Câmara. Porque razões o faz?
PM - Mantendo sempre o sentido do dever e um espírito de serviço e de missão, pretendo dar continuidade a um arrojado projecto que iniciei há quatro anos atrás. Mantendo as linhas de orientação que estão traçadas, espero no mais curto espaço de tempo inverter a tendência de perda que se verifica há mais de cinco décadas no concelho de Alvaiázere.
Pretendo manter o esforço em matérias onde fomos recentemente reconhecidos a nível Nacional: Educação; Modernização Administrativa.
Quero concentrar o esforço em cinco grandes linhas de orientação: Revisão do PDM; Políticas de Alavangem do Investimento e do emprego: Investimento no Sector do Turismo; Construção da Área de Localização Empresarial; Política Social (Habitação Social; 3ª Idade); Política de acessibilidades; Política de Ambiente (Saneamento Básico).
Em fim de mandato, o líder da oposição na Câmara Municipal de Alvaiázere
Fernando Simões, em entrevista
O Alvaiazerense - Na vida política alvaiazerense, tem sido nos últimos anos o rosto da oposição, pelo Partido Socialista. Integrado no elenco camarário, como vereador, em fim de mandato, que balanço geral faz da sua actuação?
Fernando Simões - A minha actuação, tem de ser medida sempre em função do papel que posso desempenhar no âmbito de um Vereador da oposição. Não é possível discutir as opções em concreto que constituem a estratégia definida pelo presidente do Município.
Teria sempre feito de forma diferente. As estratégias ao nível do plano seriam sempre diferentes, tendo para o efeito apresentado as minhas recomendações.
As medidas que em concreto me pareceram de aprovar, por serem positivas, sempre as aprovei.
O Alv. - E da actuação do executivo camarário no seu todo?
FS - Porque o plano estratégico ao nível do desenvolvimento económico não é aquele, que eu teria seguido, a actuação do executivo no seu todo, não pode ser considerada como positiva, atenta a minha visão do exercício do poder nesta parte.
O Alv. - Acha que as prioridades adoptadas para "desencravar" Alvaiázere foram efectivamente as mais adequadas?
FS - Acho que não, uma vez, que teria sempre ao nível do pólo de desenvolvimento central (Parque empresarial e acessibilidade) um combate aos entraves da Rede Natura e Rede Ecológica, para obter resultados diferentes.
O Alv. - Quais os pontos críticos a nível social e económico que considera manterem-se como entraves ao desenvolvimento do concelho de Alvaiázere?
FS - A falta de um parque empresarial, localizado no centro do concelho, como venho defendendo há mais de quinze anos, devidamente divulgado junto dos potenciais agentes económicos, e a não execução das vias estruturantes do concelho.
O Alv. - No contexto do PDICE, e na abordagem estratégica fundamental aí definida, e tendo presentes os projectos do parque eólico, do IC3, de projectos de aproveitamento do potencial turístico, a "Rede Natura 2000" é uma oportunidade ou é um entrave para o nosso concelho e região?
FS - As conclusões do PD-ICE, infelizmente não nos vieram trazer nada que já não soubéssemos. O executivo e os diferentes órgãos autárquicos, não fizeram até ao momento a discussão e o debate que este assunto merece, tendo em atenção que está em causa a definição dos pólos, e sua localização, que poderão ou não permitir um desenvolvimento equilibrado de todo o concelho.
Essa discussão e debate impõe-se a todos, e naturalmente agora, que iremos apreciar os programas das diferentes candidaturas à autarquia.
O Alv. - A definição do traçado do IC3 foi ou não uma condicionante para a não-definição do projecto do ambicionado parque empresarial? E para este, que investimentos acha que é possível captar?
FS - Uma vez que o traçado do IC3, se desenvolve de sul para norte, julgo que não constitui qualquer condicionante, sendo certo que sempre haverá vias de acesso ao mesmo, que se desenvolvem de nascente para poente.
Quanto aos investimentos, os mesmos estão sempre dependentes da localização do parque central, que defendemos, sendo certo que há todo um conjunto de actividades ao nível do sector primário, que poderão ser desenvolvidas.
Sempre defendi como complemento, o gabinete local de apoio à criação da empresas.
O Alv. - Tendo sido parte activa na criação da ADECA, como vê actualmente o papel desta associação?
FS - A ADECA, não é a associação pensada.
Sempre perspectivei a mesma como o local de debate por parte dos empresários do concelho. Neste momento encontro-me um pouco afastado da associação, mas julgo que este papel jamais foi conseguido. A Associação não pode ser apenas um polo de formação, e não me parece, que seja favorável para esta que a Presidência desta, possa ser compatível com o cargo de Presidente da Câmara, como vem sucedendo, desde a sua fundação.
O Alv. - Ainda relativamente ao IC3, em que o executivo se empenhou afincadamente, e em que teve grande apoio e sensibilidade do governo socialista, como vê a posição do PSD nacional de o bloquear, chamandolhe "auto-estrada rosa" e considerando-a um luxo?
FS - É bom que os Alvaiazerenses, atentem muito bem nesta questão. Afinal quem devem apoiar? É ou não aqueles que nos defendem, e, propugnam pelo nosso desenvolvimento há muito reclamado.
É pois impensável para um Alvaiazerense consciente e que defende o desenvolvimento da sua terra , poder apoiar a posição do PSD. Julgo que qualquer Alvaiazerense consciente, que defende o futuro desta terra e pensa no seu desenvolvimento, e o futuro dos seus filhos nesta, só pode, desta vez apoiar o Partido Socialista. Esta é a Hora e de vez!...
O Alv. - Sobre o relacionamento institucional e político do executivo, e na posição de vereador da oposição, como o viu com as freguesias, Assembleia Municipal e instituições e associações do concelho?
FS - O relacionamento institucional, com os órgãos autárquicos, foi sempre o possível, atendendo, que se impõe lutar sempre contra um certo ambiente, nem sempre favorável, a quem nesta terra se assume como oposição.
Conseguir explicar aos outros que a alternância no exercício do poder democrático, constituirá o motor do desenvolvimento, foi sempre a minha tarefa, nem sempre conseguida, mas que espero, possa estar a chegar a bom porto. Tenho bons amigos em todos os quadrantes, e com todo o "a vontade" sempre me foi fácil discutir o poder político nesta terra.
É o que quero continuar a fazer, para conseguir um concelho melhor e o Bem-Estar Social para os cidadãos de Alvaiázere.
Impõe-se que Alvaiázere, seja notícia, e consiga sê-lo pelo melhor.
A origem do poder democrático em Alvaiázere, julgo dever ser mais participada, mais conseguida, e não originária de um homem só, ou de uma só ideia. Ficarei feliz, se no futuro, este amplo e maior debate vier a ser diferente.
O Alv. - Na proximidade das legislativas, a nível nacional que análise faz da actuação do governo socialista? E da oposição social-democrata?
FS - É óbvio que para mim, no actual contexto de crise económica internacional a actuação do governo, se tem mostrado positiva, respondendo na hora ao sofrimento dos Portugueses, dos seus cidadãos e dos agentes económicos. Não me parece que a oposição social-democrática, possa, agora a três semanas do acto eleitoral, convencer os Portugueses, com aquilo que até ao momento em que escrevo, nem sequer divulgou em concreto aos mesmos.
O Alv. - E o panorama político local para as autárquicas?
FS - As Autárquicas julgo que podem constituir um marco Histórico, e um virar da página do concelho.
O concelho, e a autarquia, precisam de um sentimento diferente, de uma ideia nova.
O Partido Social Democrata, tem estado instalado na autarquia há mais de vinte anos, e, apesar do respeito que tenho pelas pessoas, que representam esse partido, tal situação tem empobrecido o nosso concelho a diferentes níveis.
Já disse que a alternância é o motor do desenvolvimento. Assim se vem passando em muitos outros concelhos, e mesmo no governo central. Porque não se poderá passar no nosso concelho?
O concelho na década de oitenta, mexeu com a alternância, não sucedeu assim na década de noventa , e não está a suceder no século XXI. Porquê? Batemos no fundo. Não temos gentes, não temos pólos de fixação para os jovens, não temos empresas, não temos pelo exposto futuro.
Há que enveredar para outro ciclo. E tal só sucederá com um novo partido, no exercício do poder autárquico nesta terra. Pela nossa parte apoiamos com todo o fervor a nossa candidata Drª. Teodora Cardo, pessoa conhecida e com provas dadas a diferentes níveis. É tempo de arejar o Município, com um ar renovado, sem enquistamentos, como já disse a uma só ideia, ou a uma só pessoa.
É preciso que aprendamos a respeitar-nos uns aos outros democraticamente. É tempo de se acabar com os cidadãos a revelarem-se tímidos por terem de optar por posições diferentes, e serem membros activos de outras listas, nomeadamente nas do partido socialista.
Não se admite que hajam condidatos que depois de livremente terem assumido participar numa lista , caso da lista do Partido Socialista em Pussos, venham declarar terem de desistir por terem sido postas em causa na sua própria sobrevivência no seu emprego em serviço público. É um caso para meditar, e eventualmente para investigar.
No tempo que aí vem, faço um apelo aos Alvaiazerenses para que se respeitem nas suas diferenças, e respeitem a propaganda política de cada um dos candidatos, não rasgando os cartazes, e as mensagens, como por vezes, acontece, e se vê por ai!...
Queremos uma Alvaiázere livre, aberta, participada por todos e diferente.
O Alv. - Nas autárquicas, desta vez não será candidato à Câmara. Quais as razões?
FS - Fundamentalmente, tem a ver com o facto, de ter sido condidato já por três vezes. A alternância só existe de facto se dermos lugar a outras pessoas e a outros partidos.
Foi esse o caminho que prossegui, e julgo que consegui alcançar.
Sou candidato à Presidência da Assembleia Municipal, cargo que muito me honraria exercer, e cargo que julgo bem saber desempenhar, e que ao mesmo tempo me permitiria estar atento às opções marcantes, que se impõem para o desenvolvimento imediato e tão necessário do concelho de Alvaiázere .
Obrigado pela oportunidade que mais uma vez me deram.
O Jornal Alvaiazerense, será cada vez mais o jornal do concelho, tanto e quantas vezes, der e souber dar voz à discussão e ao debate democrático, para todos os movimentos e forças políticas existentes.