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31 de Agosto de 2009

Entrevistas ao presidente da Assembleia Municipal de Alvaiázere - Álvaro Pinto Simões e ao líder da oposição na Assembleia Municipal - Vitor Serpa Oliveira


Em fim de mandato, o presidente da Assembleia Municipal de Alvaiázere

Álvaro Pinto Simões, em entrevista

Álvaro Pinto Simões

O Alvaiazerense - Em fim de mandato, que balanço faz, no geral, do trabalho desenvolvido pela Assembleia Municipal (AM) a que preside?

Álvaro Pinto Simões - O mandato decorreu dentro da normalidade, tendo aprovado a generalidade das propostas apresentadas pelo executivo camarário.

O Alv. - Como avalia a qualidade e desempenho dos deputados municipais eleitos e como foi divulgada a actividade da AM neste mandato?

AS - Na minha opinião os senhores Deputados deviam ser mais interventivos, apresentando sugestões, fazendo chegar à Assembleia Municipal problemas do Concelho e digo isto, porque existem Deputados com qualidade e capacidade para o fazer.

O Alv. - Sendo um órgão deliberativo e fiscalizador, do qual foi o representante, como avalia a gestão do executivo camarário?

AS - Este executivo beneficiou da união que existia no Concelho, onde praticamente não havia oposição e de uma situação financeira estável, já que a Câmara de Alvaiázere era uma das menos endividadas do País e penso que a que menos devia no Distrito. É certo que existiam várias obras a decorrer ou em fase de conclusão (Museu, Parque de Campismo, Multiusos de Maçãs de Dª Maria, requalificação urbana da Vila, campo de futebol), que envolviam muito dinheiro mas felizmente todas comparticipadas.

A tudo isto o executivo deu continuidade e ainda lançou alguns projectos que existiam do meu tempo prontos, para se abrir concurso, nomeadamente a segunda fase do saneamento de Maçãs de Dª Maria, o saneamento de vários lugares na Freguesia de Pussos. Não aproveitou um projecto para remodelar o edifício dos Paços do Concelho, que anexava a casa da família Cardo, que tínhamos adquirido para o efeito, medida que não crítico, porque são opções. Não aproveitou também o projecto de arquitectura para uma pousada na serra, decisão que me parece correcta já que, segundo julgo saber, pensa-se num empreendimento de maior dimensão. Mandou executar um grande leque de projectos dos quais já lançou alguns. É bom ter sempre projectos em carteira prontos a avançar mas sem exageros, pode vir um novo executivo que não concorde com eles e lá vai o dinheiro para a rua, como aconteceu com o projecto dos Paços do concelho. Deu continuidade ao trabalho iniciado para a definição do traçado do IC 3 e soube dialogar com o Partido Socialista para concretizar um objectivo importante para o Concelho.

O Alv. - No contexto do PDICE, na abordagem estratégica fundamental aí definida, e tendo presentes os projectos do parque eólico, do IC3, de projectos de aproveitamento do potencial turístico e outros, a "Rede Natura 2000" é uma oportunidade ou é um entrave para o nosso concelho e região?

AS - O parque eólico é importante, já devia ter avançado há muito tempo, o executivo por mim liderado chegou a ter um contrato escrito para o aproveitamento da Serra dos Ariques, com quatro torres, e a de Alvaiázere com cinco. A empresa pagaria anualmente cerca de Sessenta Mil Contos e construía de imediato uma obra social escolhida pela Autarquia. Infelizmente o contrato ficou sem efeito, porque o Ministério do ambiente deu parecer negativo.

O IC 3 é fundamental para o desenvolvimento do Concelho. É pena que o traçado não passe mais próximo da Vila como se defendeu durante muitos anos, mas se houver acessos condignos, do mal, o menos. Concordo plenamente com o aproveitamento da Serra para fins turísticos. Se não concordasse não teria deixado no PDM um espaço reservado para o efeito e se não existisse esse espaço dificilmente se construiria ali alguma coisa. Como já referi deixamos um projecto de arquitectura para a construção duma pousada, muito bonito mas de menor dimensão do que se pretende agora.

A rede natura 2000 foi-nos imposta através de Decreto-lei, sem o executivo ter sido ouvido. É importante preservar o ambiente mas tão radical como o que este diploma impõe, é muito prejudicial para o Concelho.

O Alv. - Numa caracterização do concelho, quais os pontos críticos a nível social e económico que considera marcarem ainda negativamente Alvaiázere? Como entende o rumo da "requalificação urbana" encetada neste mandato?

AS - Alvaiázere, possui infraestruturas para se viver com qualidade de vida. Precisa, no entanto, de actividades que criem mais postos de trabalho (não esqueçamos que encerraram algumas fábricas e outras actividades reduziram o seu número de trabalhadores). Necessitamos duma área de serviços com condições para se instalarem os empresários. Até agora, compreende-se que não se tenha avançado, porque a sua localização estava dependente do traçado do IC3. Uma vez que está definido, tenho a certeza que vai avançar.

O turismo também pode dar um contributo e ajudar a criar novos postos de trabalho.

O Alv. - Entre outras questões importantes e polémicas, a da "Pedreira", que o executivo levou à AM para aval da posição tomada, abriu novas "feridas". Dê-nos a seu entendimento sobre o projecto e interesses que estão em causa.

AS - É um assunto delicado. Os interesses que estão em causa para o Concelho residem, na minha opinião, nos postos de trabalho. Enquanto estive à frente dos destinos do Concelho, procurei o diálogo entre as partes, envolvendo sempre a Direcção Regional da Economia do Centro, que é quem licencia, a as forças policiais para fiscalizarem as cargas. Os postos de trabalho são importantes mas o bem estar da população não pode ser abandonado. Bom seria encontrar uma plataforma em que os postos de trabalho se mantivessem e a população fosse afectada o menos possível.

O Alv. - Relativamente ao IC3, em que a AM também se empenhou afincadamente, e em que Alvaiázere teve grande apoio e sensibilidade do governo socialista, como vê a posição do PSD nacional de o bloquear, chamando-lhe "auto-estrada rosa" e considerando-a um luxo?

AS - As polémicas não me interessam, pretendo apenas que o IC 3 avance o mais rápido possível. Alvaiázere já foi suficientemente prejudicada pela falta duma via estruturante, fundamental para o seu desenvolvimento. Por falar em polémicas, digo sinceramente que pensei seriamente não conceder esta entrevista, nesta altura, porque entendia que ela era oportuna, quando foram entrevistados o Sr. Presidente da Câmara e os Senhores Presidentes das Juntas. Fui e sou um homem de consensos e entendo que a união faz a força e o Concelho precisa de estar unido para continuar na senda do progresso desejado.

O Alv. - Na proximidade das legislativas, a nível nacional que análise faz da actuação do governo socialista? E da oposição social-democrata?

AS - Não foi fácil o mandato que o Governo Socialista vai agora terminar, a agitação social constante revela um descontentamento de determinadas camadas sociais.

Áreas como a justiça, a segurança e a agricultura nada melhoraram. A educação sofreu forte contestação por parte de quem está por dentro dos problemas do ensino. É certo que vivemos numa crise mundial, que este governo procurou atacar mas julgo que não conseguiu atingir o patamar desejado, o que não era fácil. O apoio à terceira idade e às crianças melhorou significativamente, com a construção de creches e lares o que veio a criar muitos postos de trabalho e contribuir para a diminuição do desemprego assustador em que vivemos. Uma das coisas boas que fez foi a aprovação da rede viária para o Centro do país, no qual se encontra incluído o IC 3. Agora é necessário que avance rapidamente.

A oposição do PSD foi construtiva. Sou contra uma oposição de constantes guerras. É necessário dizer o que está mal e indicar o que se faria se estivesse no Governo.

Neste aspecto a Drª Manuela Ferreira Leite esteve muito calada no início mas acordou a tempo de indicar caminhos importantes para o país.

O Alv. - A nível das autárquicas no concelho, como vê o actual panorama político?

AS - O povo é soberano e saberá escolher o candidato que entenda ser o melhor. Em democracia haver por onde escolher é bom.

Se houvesse só uma lista seria bem pior.

O Alv. - É recandidato pelo PSD à Assembleia Municipal. Porque razões o faz?

AS - Fui convidado para voltar a encabeçar a lista para a Assembleia Municipal. Pensei maduramente e cheguei à conclusão que ainda posso ser útil a este Concelho de que tanto gosto e cá estou de novo a sujeitar-me ao voto da população que tão bem conheço.


Em fim de mandato, o líder da oposição na Assembleia Municipal

Vitor Serpa Oliveira, em entrevista

Vitor Serpa Oliveira

O Alvaiazerense - Em fim de mandato, que balanço faz, no geral, do trabalho desenvolvido pela Assembleia Municipal (AM)?

Vitor Serpa Oliveira - Em termos de balanço geral do trabalho desenvolvido pela Assembleia Municipal, durante o mandato que agora termina, considero que foi positivo no que toca a assuntos como a aprovação do IC3 e do Parque Eólico, sendo aceitável em discussões e decisões de temas ligados à gestão autárquica pura e deixando muito por fazer no que respeita ao levantamento de questões não integradas na Ordem de Trabalhos. Neste particular, penitencio-me, pois esta incumbência é da oposição e, em parte devido aos afazeres profissionais dos eleitos, mas também por falta de alertas das populações, quase nenhuma questão levantamos.

O Alv. - Acha que há qualidade e empenho dos deputados municipais eleitos? E já agora, como acha que foi divulgada a actividade da AM neste mandato?

VO - Quem sou eu para fazer juízos de valor sobre a qualidade dos autarcas eleitos directamente pelos munícipes?

Relativamente ao empenho, penso que a bancada da maioria cumpriu a sua missão de apoio ao executivo, podendo a oposição, como já disse atrás, ter feito muito mais.

No que concerne à divulgação da actividade da AM, parece-me que, para além da publicação das actas, ainda muito há a fazer. Mas essa responsabilidade caberá à própria Assembleia, aproveitando os meios que estão ao seu alcance para chamar a população às sessões e dar a conhecer as iniciativas que leva a cabo.

O Alv. - Sendo um órgão deliberativo e fiscalizador, como representante da oposição, como avalia a gestão do executivo camarário?

VO - A apreciação que fazemos à gestão do executivo camarário, durante o mandato que agora termina, é bastante positiva no que concerne á aprovação do IC3 e do Parque Eólico, pois estamos em presença de obras que já deveriam estar concluídas há muito tempo. No que toca aos projectos da "requalificação urbana" pensamos que foram lançados um pouco "à pressa" para "apresentar obra", sendo que em alguns casos se avançou sem estarem concluídos os necessários processos negociais e burocráticos.

E já agora, pergunto: - Embora muito tarde, mas não seria mais urgente a implantação de um verdadeiro Parque Empresarial, onde pudessem ser criadas condições para fixar as populações, do que a construção e melhoramento de vias que não terão utilizadores porque estes foram viver longe de Alvaiázere, devido à falta de trabalho?

O Alv. - No contexto do PDICE, na abordagem estratégica fundamental aí definida, e tendo presentes os projectos do parque eólico, do IC3, de projectos de aproveitamento do potencial turístico e outros, a "Rede Natura 2000" é uma oportunidade ou é um entrave para o nosso concelho e região?

VO - Todas as iniciativas que apontem no sentido da conservação da Natureza são válidas. Por outro lado, todos os radicalismos são perigosos e prejudiciais para a Humanidade. É evidente que, quando temos uma delimitação geográfica de defesa ambiental que abrange cerca de metade do território do concelho, que atrasa a aprovação do Parque Eólico e altera negativamente o traçado do IC3, não podemos considerar a Rede Natura 2000 uma janela de oportunidade para Alvaiázere. No entanto considero a iniciativa positiva e penso que, como tudo na vida, o que é necessário é haver abertura para lidar com ela.

O Alv. - Numa caracterização do concelho, quais os pontos críticos a nível social e económico que considera marcarem ainda negativamente Alvaiázere? Como entende o rumo da "requalificação urbana" encetada neste mandato?

VO - Em termos sociais parece-me que a qualidade de vida que temos em Alvaiázere, comparativamente com o todo que é o país, nos coloca relativamente bem, já que em boa parte das necessidades da população temos infraestruturas que funcionam minimamente.

Já no que respeita ao desenvolvimento económico "perdemos o comboio" e, ao que parece, não vai haver "desdobramento". Quando começamos, há mais de 12 anos, a falar em "rasgar a serra" ou seja ligar Alvaiázere aos grandes eixos rodoviários, fomos alvo de chacota. Agora, tardiamente, percebe-se porque alguns concelhos vizinhos têm bons parques empresariais e mais empregos, fixando assim as suas populações e o nosso concelho apresenta o atraso que todos conhecemos.

O Alv. - Entre outras questões importantes e polémicas, a da "Pedreira", que o executivo levou à AM para aval da posição tomada, abriu novas "feridas". Dê-nos a seu entendimento sobre o projecto e interesses que estão em causa.

VO - A questão da "Pedreira" sempre foi e será polémica, até porque estão em presença interesses tão controversos como a questão ambiental, o desenvolvimento económico da região, o sossego dos vizinhos da exploração, o posto de trabalho de um número razoável de residentes no concelho, etc.... No entanto, como afirmei a propósito da Rede Natura 2000, nada que uma discussão aberta, a negociação de contrapartidas e o bom senso não consigam resolver.

O Alv. - Relativamente ao IC3, em que a AM também se empenhou afincadamente, e em que Alvaiázere teve grande apoio e sensibilidade do governo socialista, como vê a posição do PSD nacional de o bloquear, chamando-lhe "auto-estrada rosa" e considerando-a um luxo?

VO - Ora aí está um bom exemplo do que é não fazer oposição. Só porque a iniciativa de uma obra de excepcional interesse para as populações abrangidas, como esta, é do PS, importa "deitar abaixo" porque o PSD pode perder votos se a mesma for concluída. A forma correcta de fazer oposição é apresentar melhores soluções e não este denegrir sistemático.

Neste momento, o que penso que os apoiantes do PSD de Alvaiázere e dos restantes concelhos beneficiados podem e devem fazer é explicar à líder do partido qual a importância do IC3 para eles, votando no partido que aprovou a obra e a vai construir. De outro modo estarão a dar-lhe razão, concordando em que esta é uma "auto-estrada de luxo" e portanto desnecessária.

O Alv. - Na proximidade das legislativas, a nível nacional que análise faz da actuação do governo socialista? E da oposição social-democrata?

VO - A análise que faço da actuação do governo é bastante positiva. Num contexto economicamente muito adverso, pelo menos neste dois últimos anos, nos quais foi necessário aplicar elevadas verbas na manutenção do emprego e na ajuda às pequenas empresas, foi ainda possível evoluir positivamente em assuntos tão importantes como o desenvolvimento tecnológico de ponta, o acesso de toda a população às novas tecnologias da informação, a melhoria do rendimento escolar, o crescimento da produção de energias renováveis, etc.... Não podemos perder de vista que o futuro dos países ocidentais, ditos "desenvolvidos", terá de passar pelo domínio do conhecimento e das novas tecnologias. A época da produção industrial massiva e da prestação de serviços à custa de baixos salários e energias tradicionais está completamente ultrapassada.

Às oposições, e não faço distinção, terei de mostrar cartão amarelo pois, para além de algumas ideias demagógicas e inexequíveis da esquerda, não foram apresentadas propostas ou alternativas à governação. O que se viu foi uma discordância sistemática de todas as iniciativas do governo, como demonstra o caso do IC3!...

O Alv. - A nível das autárquicas no concelho, como vê o actual panorama político?

VO - O panorama político concelhio parece-me estar bastante vivo e aliciante e Alvaiázere só pode vir a beneficiar disso, pois da discussão e do confronto de opiniões é que surgem as grandes ideias.

O "quebrar com o passado" que ocorreu no PSD local, à semelhança do que este partido fez a nível nacional nas listas de candidatos a deputado, originou um movimento generalizado de apresentação de candidaturas e propostas de actuação que em muito alargará o horizonte das escolhas dos eleitores. Deste modo, se não existirem algumas ameaças antidemocráticas habituais nalguns "líderes" locais, e que neste período pré-eleitoral já começaram a aparecer, teremos certamente uma acesa e profícua discussão de ideias e umas eleições bem disputadas.

O Alv. - É recandidato pelo à Assembleia Municipal. Porque razões?

VO - Sou efectivamente recandidato à Assembleia Municipal. No entanto, devido a compromissos profissionais e familiares que assumi, não me é possível exercer de uma forma mais presente e actuante, como acho que deverá ser exercido, o cargo para que fui eleito no mandato anterior, pelo que irei estar presente mas numa posição mais passiva.


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